01/09/2010 21:51:00

Bodas de ouro da paróquia Nossa Senhora da Esperança

Construída para ser provisória, a igreja do Horto integra patrimônio histórico



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IPATINGA - Pouca gente sabe que o Brasil nasceu sob o olhar de Nossa Senhora da Esperança. O culto a ela data de muitos séculos e tornou-se intenso à época dos descobrimentos pela fé dos navegadores que, sob proteção da Virgem, se aventuravam “por mares nunca dantes navegados”. Na região portuguesa de Belmonte, terra de Pedro Álvares Cabral, uma imagem foi entregue a ele pouco antes de as caravelas zarparem e chegarem a Porto Seguro, em 22 de abril de 1500. No dia seguinte, um domingo, Frei Henrique de Caneca celebrou a primeira missa em solo brasileiro no altar improvisado, erguido à sombra da cruz, onde pousava a imagem de Nossa Senhora da Esperança.


Ipatinga também cresceu sob o olhar da Virgem, que dá nome à primeira paróquia fundada no distrito, então pertencente a Coronel Fabriciano. A localidade crescia vertiginosamente com a construção da Usiminas, recebendo centenas de trabalhadores que aqui aportavam com a esperança de uma vida melhor. Como os navegadores portugueses, os operários da siderúrgica se aventuravam no desconhecido em busca do novo “Eldorado”, em terra de doenças endêmicas, sem infraestrutura, com as florestas devastadas pela ação dos carvoeiros.


A Usiminas deu certo, surgiu uma cidade bem projetada e a igreja, no bairro Horto, testemunhou toda essa história. Os fiéis celebram neste ano os 50 anos da paróquia, fundada em 15 agosto de 1960 pelo arcebispo de Mariana, Dom Helvécio Gomes de Oliveira, quatro anos antes da emancipação política de Ipatinga, alçada então a município. Vários eventos religiosos marcaram o cinquentenário da paróquia, promovidos sob a batuta do atual pároco, padre Elder Luiz Silva, com a presença de monsenhor Avelino Marques Canuto, que não só presenciou, mas desempenhou papel notório na história da cidade.



Construção

Da mesma forma que se instalava a Usiminas em Ipatinga, a Igreja de Nossa Senhora da Esperança foi erguida “milagrosamente” em apenas 12 dias. Os trabalhos tiveram início em 13 de dezembro de 1959; antes, portanto, da constituição canônica da paróquia, sete meses depois. “A igreja tinha que ficar pronta para o Natal”, relata o padre Avelino, que se tornou o primeiro pároco e, durante muitos anos, conduziu na paróquia os trabalhos de evangelização.


Ele recorda que foi utilizada pouca alvenaria e muita madeira, incluindo o altar-mor, a mesa da comunhão, a pia batismal e, especialmente, a imagem da padroeira, feita em peroba. A igreja, que seria uma obra provisória, acabou se tornando cartão-postal da cidade, culminando no tombamento pelo Patrimônio Cultural e Artístico do município.


##[55765]##  Pioneirismo em bairro vazio


“A Missa do Galo foi celebrada quando havia poucos moradores no bairro Horto, a maioria formada por operários instalados em dois alojamentos da Usiminas”, lembra o pioneiro Humberto Cotta Araújo, que morava no bairro e, um mês depois da inauguração da igreja, abriu sua loja de ferragens, secos e molhados.


“Pouca coisa havia naquele tempo, uma loja de material de construção e uma padaria, que fecharam, o cinema em frente à igreja, que já não existe, e, logo depois, a Farmácia São José. Minha loja foi, então, a primeira que permaneceu, completando 50 anos em janeiro último”, conta.

“Na época os cereais eram vendidos a quilo, faziam muita sujeira e atraíam ratos, o que era um grande problema. Decidi então mudar de ramo. Hoje a Casa Cotta trabalha com confecção, calçados e roupas esportivas”, acrescenta.



Pulso firme

Padre Avelino Marques destacou-se na história do município, entre outros fatos, durante a tragédia que ficou conhecida como o “Massacre de Ipatinga”, em 1963, que acabou com mortos e feridos no conflito entre vigilantes da Usiminas, policiais militares e operários da siderúrgica. Com sua figura serena, mas pulso firme, o sacerdote foi o grande mediador do conflito. No ano passado, recebeu a Medalha do Mérito Legislativo, concedida pela Câmara Municipal de Ipatinga. Padre Avelino Marques, 89 anos, estudou no Seminário de Mariana de 1933 a 1943. Emérito da Arquidiocese de Belo Horizonte, comemorou em novembro do ano passado 65 anos de ordenação sacerdotal. É um dos párocos mais idosos da Arquidiocese de Belo Horizonte, onde está há 39 anos, aposentado, mas ainda em atividade sacerdotal.



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